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Você troca de canal à procura de algo na madrugada. Zapeia canal pra cá, zapeia canal pra lá… Opa! Esse filme parece muito bem produzido. Deve ser um clássico. Deve ser bom. Está passando um cena muito tensa com um cara que parece ser um detetive. Parece que ele descobriu algo terrível sobre aquela moça de vestido longo vermelho. Vai dar merda.

Beleza! Achou o filme que queria. Você se acomoda melhor no sofá. De repente…

A música tensa é interrompida. O deterive se vira com cara de apaixonado. Sobrançelhas pateticamente arqueadas. Toca uma música romântica com tão brega que começa até com harpas. Lá la la láaaaaaa! Começa a cantoria. Tudo fica muito constrangedor. Taqueoparil! É musical essa porra!

Essa foi a melhor descrição que um amigo meu me deu sobre a perspectiva dele sobre musicais. Batia exatamente com o eu pensava antigamente. Mas por quê eu não gostei de cara de musicais? Talvez o erro estivesse na falta de contexto. E numa boa dose de uma adolescência regada por uma sociedade na qual ter sentimentos é tido como algo esquisito. Ainda bem que pude mudar minha perspectiva sobre musicais.

E o primeiro filme que ajudou nessa mudança foi Moulin Rouge. Na época eu estava muito apaixonado pela minha ex-namorada. Estava lá o ingrediente mais forte que nutre quem adora musicais, a paixão.

Daí pra frente passei a ver todos. E não podia deixar de ver La La Land, com tantas indicações e tanto hipe em cima do filme. Fui assistir com logo após ouvir muitas críticas boas e ruins sobre o filme. Uns diziam: “um clássico instantâneo”. Outros: muito brega… tem até sapateado, eca! Opiniões diversas e extremas do nosso contemporâneo mundo bipolar. Resolvi encarar de peito aberto, afinal, já perdi algumas portunidades de ver bons filmes no cinema por opiniões contundentes, porém vazias (típicas de muitos YouTuberes famosos). Vamos lá.

Atenção! Não pretendo dar spoiler, mas minhas observações sobre o filme podem prejudicar a sua experiência. Dica: esqueça esse post e veja o filme de coração aberto.

O filme começa com uma cena MEGA FORÇADA de canto, dança e sapateado num engarrafamento de viaduto. Tudo colorido num estilo American Dream Baby Boomer. Bate aquele… putz, que bosta vai ser esse filme. Mas continuemos… A atuação da Emma Stone e do Ryan Gosling vão aos poucos salvando o filme. Começan a tocar algumas peças de piano extremamente tocantes. O clima fica sutil e profundo. Daí pra frente é tudo de bom. Não vou dar detalhes sobre o filme, me limitarei a escrever sobre o ponto forte e que justifica muito bem tudo o que se fala de bem sobre o filme: A trilha sonora!

Que trilha sonora foda!!! (clique aqui para ouvir no Spotify) Justin Hurwitz, cara novo e responsável por essas trilhas impagáveis, claramente tem uma carreira de muito sucesso pela frente. Já virei fã. Principalmente o “City of Stars“. Que música! Além dessa tem uma musiquinha muito linda que a Emma conta que tem uma mensagem muito poderosa. Uma ode “aos tolos que acreditam”. Para mim foi a cena do Oscar dela (se ela tiver chance contra os outros).

Talvez o filme tenha me tocado pela identificação que tive o personagem de Gosling. O cara é um pianista fodão (umas das coisas que eu sempre quis ser) e passa uma mensagem muito forte sobre acreditar no seu sonho. Nos seus ideais. Existe muita profundidade no que ele fala, apensar do aspecto “artificial” do filme. O final então…. Putz, que mensagem. Nem sempre as coisas vão da maneira como você havia planejado, mesmo acreditando muito num projeto de vida. Como as coisas poderiam ser belas. Mas não foram… :´(

O filme é brega… mas qual o problema nisso? É uma história de amor! Por que não ser brega…. o mais brega de todos! Brega, forçado, sutil, imperdível!